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No âmbito da programação de Outubro - Mês da Cultura e das Comunidades, o CCCV apresenta:Apresentação do livro
"Ela - Deu muito o que falar", de José J. Cabral
Apresentação a cargo de Sandra Inês Cruz - Jornalista e Investigadora.
Sexta-feira, 30 de outubro | das 18h30 às 20h00
CCCV – Centro Cultural de Cabo Verde, Rua de São Bento 640, 1250-222, Lisboa
Entrada livre
Sobre o livro:
Com o título provisório de “Ela - Deu muito o que falar”, é um romance de época, contendo “Desabafamentos Inconformados Contra o Silêncio" de um tempo ingrato, vivido num dos territórios por onde Portugal se espalhou.
Inspirado na primeira publicação de Baltasar Lopes aos 22 anos, (opúsculo “Cónego Correia Mulher e Filhos, Grafica Beleza, 1929), tem como personagem principal uma jovem intrépida, Clara Albana, cuja natureza afetuosa e fina delicadeza não a impediram de se insurgir contra as más-condutas, incompreensão, discriminação mascarada e escândalos perpetradas por arcanos da sociedade, que Clara denuncia pertinazmente, disposta a desalojá-los dos feudos públicos que assaltaram e assumiram como pertença, e a dedicar todas as suas energias à promoção da igualdade racial e de género, justiça-social, educação bigénero, sem se furtar a peitar contra o machismo e a combater o conservadorismo reacionário, decadente e hipócrita desse tempo, e a desencadear vigorosa peleja contra a violência e subjugação das mulheres, tidas como parte menor das relações.
Ficcionado em pressupostos de realidade, a obra, escrita numa das variantes do português falado além das fronteiras ibéricas, recupera em sede de evagação literária temas antigos como o totalitarismo, a guerra e a iminência da fome, que, em pleno SEC. XXI voltam a ameaçar a humanidade.
Não poupa determinados eclesiásticos incumpridores, desviados do seu papel de guia espiritual. Traidores do sacerdócio, negligenciam o voto de castidade para "raparigarem" escandalosamente, havendo um deles a viver de cama e pucarinhos com mulher e filhos, além de outros comportamentos reprováveis que afastam os fiéis do rebanho de Cristo.
No fundo a obra é uma proposta de desconstrução de padrões sociais e de releitura de temas pretéritos, trazidos para o cenário contemporâneo com outros epítetos: diversidade e Inclusão, formas alternativas de amor, identidades e igualdade de género, direitos LGBTQIA+, racismo e xenofobia.
Ela navega pelos meandros da primeira deportação e ensaio do novo modelo prisional português ensaiado na ilha a partir de 1931, com a chegada dos revoltosos da Rebelião da Madeira, que aliás, ditaram a ocupação abusiva do antigo Seminário e consequente encerramento do Instituto criado pelo venerável Cónego Ortigão, na sequência da publicação da Lei de Separação de Poderes, culminando com a expulsão desse sacerdote milagreiro do Seminário que se recolheu amargurado numa casinha humilde onde foi esperar a morte, que chegaria no meio da guerra, seca e fome nas ilhas, no ano de 1944. Resgata as memórias de personalidades notórias da ilha como Antónia Pusich, Monsenhor Bouças, Baltasar Lopes e a descendência Lopes da Silva, Cónego José Correia etc.
Obra vencedora do Prémio Literário Mário Fonseca, da Biblioteca Nacional/Ministério da Cultura de Cabo Verde, mereceu a seguinte apreciação do Júri: “… revela uma maturidade literária rara, sustentada por uma construção narrativa ampla, sensorial e profundamente enraizada na insularidade cabo-verdiana. A partir de um dispositivo ficcional inicial — o manuscrito encontrado — ergue-se um universo mítico e histórico que convoca genealogias, paisagens, oralidades e tensões sociais, compondo um território literário de grande densidade expressiva…”.
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Event venue
Rua de São Bento, 640, 1250-222 Lisbon, Portugal, Rua de São Bento 640, 1250-222 Lisboa, Portugal, Lisbon
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