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M/12 | 50MDias 10,11 e 12 de Abril
Sexta e sábado às 21h30 e Domingo às 16h00
Auditório da Quinta da Caverneira
Entrada Gratuita até à lotação da sala
Uma gaiola parte à procura de um pássaro.
Num cais que também pode ser estação, varanda, praça ou campo de
batalha, uma figura — ou um coro — tenta nomear aquilo que
escapa: o amor que não se segura, a infância que termina, a mãe
que se ausenta, a paz que já não chega. Ao redor, as aves surgem
como mensageiros do que está vivo: aproximam-se, migram, caem,
voltam — e, às vezes, são caladas, feridas, engaioladas.
A peça constrói-se como uma liturgia de despedida, onde cada animal
alado é um espelho humano: a andorinha, que conhece o caminho do
regresso e, ainda assim, treme quando o céu muda; o beija-flor,
pequeno excesso de vida, batendo as asas como se pudesse
suspender o tempo; O shima-enaga, criatura híbrida, impossível de
catalogar, trazendo à boca o presságio de que a imaginação também
é uma forma de verdade; o rouxinol, que insiste em cantar mesmo
quando cantar custa; o corvo, que não promete consolo, mas vigia o
que foi deixado para trás; o mocho-galego, sentinela da noite,
perguntando o que vemos quando já não há luz; o pinguim,
caminhante do frio, aprendendo a amar sem voo; o morcego, que
atravessa a escuridão por escuta, como quem procura o mundo com
outra linguagem; e a gaivota, entre o lixo e o mar, lembrando que a
sobrevivência também tem canto.
Entre poemas e canções, o palco vira um território de passagem: um
comboio de chuva e guerra, um “cemitério marchando noite dentro”,
e também a infância como floresta perdida — “não iremos mais à
floresta”. No centro, uma pergunta simples e brutal organiza o
mosaico: o que acontece com uma humanidade que troca o canto por
notificações, o céu por telas, o vivo por metal? A cada tentativa de
aprisionar o indizível, algo se parte: asas, garras, voz, confiança.
Mas ainda assim insistimos numa resistência delicada — quase
teimosa: mesmo sem céu, ainda é possível cantar por amor e não por
programação. No final, a despedida não é só perda: é rito de
passagem. E quem sabe, possamos sair com a sensação de ter
escutado, por instantes, o pássaro que “nunca ninguém viu, mas
todos já sonharam”.
Texto Zeferino Mota Intérpretes Ana Costa, Betina Kavinsky,
Bruno Maia, Francisca Picarote, Luis Sousa, Maty Bang, Mi
Célio, Patricia Monteiro e Teresa Lopez Iluminação André
Rabaça Cenografia José Lopes Direção Miguel Hernandez
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Event Venue
Quinta da Caverneira Avenida Pastor Joaquim Eduardo Machado Águas Santas, 4425-253 Maia, Portugal, Avenida do Pastor Joaquim Machado 142, 4425-253 Maia, Portugal, Maia
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